AULA 3: MAMÃ, CUIDA BEM DE TI! I

Enfa. Sílvia Filipe

Olá o meu nome é Sílvia Filipe e sou enfermeira especialista em saúde materna e obstetrícia e hoje iremos falar de dois temas muito importantes: a alimentação e a suplementação.

Durante a gravidez as necessidades nutricionais da mãe aumentam para fazer face ao crescimento e desenvolvimento do bebé, assim como ao aumento do seu metabolismo.

O aconselhamento será individual, reforçando a importância de otimizar a saúde da mãe e reduzir o risco de complicações durante a gravidez e de algumas doenças do bebé.

A alimentação da grávida deverá ser saudável, ou seja, completa, equilibrada, variada e segura.

Ao pensarmos no esquema da roda dos alimentos é fácil percebermos que a alimentação deve ser:

  • completa, uma vez que devemos comer diariamente alimentos de todas as parcelas da roda;
  • equilibrada, de acordo com o tamanho das parcelas assim deveremos pensar nas porções de cada uma delas que devemos ingerir ao longo do dia;
  • variada, pelo que devemos variar os alimentos de cada uma das parcelas, não tornando as refeições monótonas.

É importante nunca esquecer a importância da ingestão de água - figura central da roda dos alimentos.

Assim sendo, as principais recomendações são:

  • realizar 5 a 6 refeições por dia, mais ou menos de 3 em 3 horas: pequeno-almoço, almoço, e jantar e 2 a 3 pequenos lanches;
  • privilegiar o consumo de hortícolas, iniciando as refeições com por exemplo uma sopa de legumes;
  • só comer saladas fora de casa com autorização do médico (para evitar a toxoplasmose);
  • preferir alimentos ricos em fibras como legumes, verduras, fruta natural, cereais integrais (pão e massa integral).

Deve evitar-se consumir alimentos com excesso de gordura animal, tais como manteigas, carnes gordas como toucinho ou enchidos.

Limitar o consumo de carne vermelha a 2 ou 3 vezes por semana e,

Consumir preferencialmente peixes gordos, como por exemplo, o salmão, o atum ou a sardinha e carnes brancas, como as aves e coelho.

Preferir sempre os óleos vegetais como o azeite;

Moderar o consumo de sal e optar por sal iodado;

Consumir moderadamente hidratos de carbono, entre eles, o pão, a massa e o arroz, e optar pela forma integral;

Comer 3 a 4 porções de fruta por dia;

Comer 3 porções de laticínios meios-gordos ou magros por dia e;

Evitar alimentos salgados e em conserva.

Reduzir o consumo de alimentos ricos em açúcar, como: bolos, doces, alimentos pré-fabricados, rebuçados e chocolate,

Beber entre 1,5 e 2 litros de água por dia;

Não são recomendadas bebidas gaseificadas, açucaradas nem bebidas estimulantes (cafés, chás e coca-cola),

Evitar bebidas alcoólicas e,

As formas de cozinhar mais recomendadas são: grelhar, assar no forno, cozer ou cozinhar a vapor.

A suplementação de ácido fólico deve ser iniciada preferencialmente 12 semanas antes da conceção.

A dose diária de ferro e ácido fólico será individualizada de acordo com a situação clínica da mulher e sempre prescrita pelo médico.

O iodo também deve ser iniciado antes de engravidar e durante o aleitamento materno cerca de 150 a 200 microgramas diárias, uma vez que auxilia no desenvolvimento cognitivo do feto.

O ácido fólico ou vitamina B9 é essencial na síntese de proteínas e de material genético. Desempenha um papel fundamental na redução do risco de malformações do tubo neural, tais como:

  • anencefalia, que se caracteriza pela ausência parcial do cérebro;
  • e pela espinha bífida, que consiste no fecho incompleto do tubo neural.

O acido fólico poderá ser ingerida através de alimentos, e como tal recomenda-se o consumo de frutas e hortícolas ricos nesta vitamina, cereais integrais e leguminosas.

No entanto, para garantir valores séricos de segurança com o intuito de prevenir malformações do tubo neural, é importante iniciar a suplementação 12 semanas antes da gravidez com uma dose diária de 400 microgramas e prolongar até às 12 semanas após a confirmação da gravidez.

Se existir familiar com malformações do tubo neural, a dose diária de ácido fólico deve passar para 5 mg.

É importante tomar este suplemento sempre com prescrição médica.

O ferro é um nutriente importante para a formação da hemoglobina, que é responsável pelo transporte de oxigénio para as células.

Durante a gravidez o volume de sangue na grávida aumenta para fazer face ao desenvolvimento feto-placentar, e com tal deve fazer-se suplementação de 30 a 60 mg de ferro diariamente para garantir o aporte deste mineral e prevenir:

  • bebés com baixo peso no momento do nascimento, prematuridade e mortalidade perinatal e;
  • anemia ferropénica na grávida. Este tipo de anemia implica cansaço fácil, irritabilidade, sintomas depressivos e alteração da função cognitiva.

Recomenda-se a ingestão de alimentos ricos em ferro, tais como:

  • alimentos de origem animal como a carne e o peixe. A título de exemplo 100 gramas de fígado contem cerca de 9,8 mg de ferro;
  • leguminosas, como por exemplo feijão e grão-de-bico e;
  • hortícolas de folhas escuras, como os espinafres;

Para melhorar a absorção de ferro deverá ingerir produtos ricos em vitamina C.

Evitar a ingestão de produtos lácteos com a suplementação e por último,

Procurar não misturar fontes de ferro, ou seja, carne ou peixe com leguminosas ou vegetais.

A suplementação oral diária de ferro deverá durar toda a gravidez, em especial a partir do 2ª trimestre e prolongar-se até as 12 semanas após o parto;

A dose diária recomendada é de 30 a 60 mg de ferro elementar durante a gravidez e no pós-parto para grávidas sem risco de anemia;

As grávidas com anemia por défice de ferro diagnosticada deverão tomar 120 mg de ferro elementar;

É importante reforçar que o suplemento de ferro deve ser sempre prescrito pelo médico.

A ingestão de iodo deve ser aumentada na gravidez e por isso será importante reforçar a ingestão de alimentos enriquecidos neste mineral, e na cozinha optar por sal iodado.

Este mineral existe nas hormonas da tiroide e é responsável pela regulação do metabolismo celular e desenvolvimento do sistema nervoso do bebé.

Os alimentos ricos em iodo que se recomendam são:

  • peixes, crustáceos e algas, vegetais, carne, leite e derivados e sal iodado.

A suplementação do iodo deve ser iniciada antes da gravidez, ou seja, durante o período preconcecional, e estender-se durante a gravidez e durante o aleitamento materno,

A dose recomendada deverá ser 150 a 200 microgramas diários e,

A suplementação de iodo deverá ser sempre com orientação médica, uma vez que existem patologias da tiroide que contraindicam a sua toma.

E é tudo por hoje! Na próxima aula temos novos conteúdos que, certamente, o irão interessar!

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