AULA 4: MAMÃ, CUIDA BEM DE TI! II

Enfa. Sílvia Filipe

Olá o meu nome é Sílvia Filipe e sou enfermeira especialista em saúde materna e obstetrícia e hoje iremos falar sobre a importância do exercício físico e a vivência da sexualidade durante a gravidez.

• Durante a gravidez a mulher terá de adaptar-se a inúmeras alterações físicas e psicológicas.

O exercício físico regular aumenta a resistência, melhora a flexibilidade e a força, e é recomendado que a grávida pratique, pelo menos, 30 minutos de atividade física moderada todos os dias ou na maioria dos dias da semana.

A prática de exercício físico durante o período de gestação é uma das componentes essenciais para a prevenção e controlo de algumas doenças e desconfortos existentes neste período, como por exemplo:

  • aumento excessivo de peso;
  • pressão arterial elevada;
  • diabetes gestacional;
  • cansaço;
  • edema nas pernas;
  • cãibras;
  • instabilidade do humor;
  • dores nas costas e nas pernas;
  • obstipação;
  • falta de ar e;
  • pré-eclâmpsia.

Por outro lado, a atividade física regular não está relacionada com o aumento do risco de partos prematuros, de abortos e de nascimento de bebés com baixo peso.

Ao fazer exercício físico, a circulação da grávida melhora, ajuda a aliviar a tensão e beneficia o desenvolvimento e o crescimento do bebé.

E ainda se verifica a tomada de consciência da respiração promovendo o relaxamento.

O trabalho de parto e parto podem ser mais fáceis e confortáveis com músculos tonificados.

São libertadas endorfinas que promovem sensação de bem-estar aos dois, e por fim,

Dá mais energia e melhora a consciencialização do corpo, melhorando a confiança de grávida.

A grávida deve optar por praticar exercício de intensidade moderada e que lhe de prazer, como por exemplo:

  • caminhada;
  • natação;
  • andar de Bicicleta, mas à medida que a barriga cresce o seu equilíbrio pode ser prejudicado e será preferível optar por bicicletas estáticas;
  • musculação, um treino de força com intensidade moderada;
  • hidroginástica e/ou;
  • aulas de pilates, ioga, alongamentos.

Deve evitar ficar de pé ou parada por longos períodos. Uma vez que esta posição pode causar tonturas e reduzir a circulação do sangue no útero. Assim sendo é importante ir trocando a posição com uma maior frequência ou manter-se em movimento quando estiver de pé;

Escolher sítios arejados,

Evitar fazer exercícios de barriga para cima;

Aumentar a ingestão de água durante e após a atividade;

E por fim, optar por um sutiã com bom suporte, e roupa e calçado confortáveis.

Algumas modalidades de atividade física não são recomendadas, como:

  • atividades com impacto, risco de queda ou trauma na região da barriga, como por exemplo:
    • Andar a cavalo, esquiar, judo, andar de bicicleta em piso irregular, surf, ginástica artística, ténis squash, aulas de ginástica com saltos ou movimentos bruscos ou desportos coletivos, entre eles o futebol, o voleibol, o andebol ou o basquetebol.
  • atividade deitada de costas, principalmente após as 16 semanas. Uma vez que o peso da barriga pode pressionar alguns vasos sanguíneos, dificultando a circulação do sangue e causando falta de ar, fraqueza e mal-estar; 
  • E também não é aconselhado a prática de mergulho subaquático.

Deve preparar o corpo para iniciar e terminar a atividade física de forma lenta.

Iniciar com um aquecimento de 5 a 10 minutos, com alongamentos e uma atividade leve, como caminhar lentamente. O aquecimento alivia a tensão e prepara os músculos e articulações e ainda reduz o risco de lesão;

Ao terminar, deve reduzir-se o ritmo durante os últimos 5 a 10 minutos e alongar no fim. Os alongamentos devem ser realizados em posições confortáveis e numa postura correta. Irá prevenir dores musculares e permitirá que o seu aparelho respiratório e circulatório se adapte ao início e ao fim de cada atividade, evitando assim cansaço antecipado, fraquezas e tonturas;

E por último, nunca deverá fazer exercícios que lhe causem dor ou desconforto.

O exercício físico ajuda-nos a tomar consciência do nosso corpo e a relaxar a mente produzindo hormonas de bem-estar. No entanto, não deve fazer exercício físico se:

Existir perda vaginal de sangue ou líquido;

Sentir-se adoentada ou cansada;

Dificuldades em respirar;

Sentir dor no peito, dor de cabeça, dores nas pernas ou fraqueza muscular;

Ou contrações no útero.

Segundo a Organização Mundial de Saúde a sexualidade é “Uma energia que nos motiva a procurar Amor, contacto, ternura, intimidade, que se integra no modo como nos sentimos, movemos tocamos e somos tocados; É ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual; ela influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações, e por isso influência também a nossa Saúde física e mental.”

A sexualidade é vivida pelo casal de forma única e de forma diferente ao longo da gravidez. Se para alguns casais o prazer aumenta pela maior lubrificação da mulher, maior afluxo de sangue e despreocupação em relação à contraceção, para outros o fato de a mulher estar grávida faz com que se sinta menos sensual, aliado aos desconfortos e originando uma diminuição da libido.

O casal deve conversar e tranquilizarem-se mutuamente pois os sentimentos não mudaram apesar de um poder não estar tão interessado para esta situação.

Não existe nenhum inconveniente em ter relações sexuais durante a gravidez, uma vez que:

  • não causa infeções pois o colo do útero está fechado com um muco forte, chamado de rolhão mucoso que evita que bactérias entrem no útero.
  • o saco amniótico é resistente mesmo quando existe alguma pressão e protege o bebé de forças externas.

É importante explorar a hipótese de adotar novas posições para adequar o aumento do abdómen da grávida e evitar a posição/posturas que não exerçam pressão sobre o mesmo. A partir do 3º trimestre evitar ficar muito tempo de costas.

Existem ainda outras formas de desfrutar de prazer sexual sem penetração.

É seguro desfrutar da relação sexual ao longo da gravidez a não ser que haja contraindicação médica por:

  • dor;
  • perda de sangue;
  • infeção vaginal;
  • história de aborto espontâneo;
  • aborto iminente;
  • rutura das membranas (perda de líquido amniótico);
  • dilatação cervical e;
  • ameaça de parto prematuro.

Bem, por hoje é tudo, vemo-nos na próxima aula!

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