AULA 6: CHEGOU A HORA?!

Enfo. João Formiga

Olá a todos o meu nome é João Formiga e sou enfermeiro especialista em saúde materna e obstetrícia e nesta aula vamos falar um pouco sobre a tão ansiada hora do nascimento do seu bebé.

Assim, iremos rever alguns aspetos importantes como:

  • A preparação da mala, e o que esta deve incluir para levar para a maternidade.
  • Os sinais de alarme para os quais deve estar desperta, de forma a procurar de imediato a maternidade mais próxima.
  • E algumas estratégias e técnicas de relaxamento para controlar as contrações mais dolorosas, que poderão ser indicativas que a hora chegou e que seu corpo se está a preparar para o nascimento do bebé.

A mala para levar para a maternidade com tudo o que é necessário para a mãe e para o bebé deve ser preparada com calma, com a devida antecedência e por volta das 30 semanas de gestação.

É importante que permaneça sempre à mão para que no grande momento esteja acessível com o que necessita, de acordo com as orientações da maternidade que escolheu para o nascimento do seu filho.

É natural que tenha a necessidade de comprar alguns produtos específicos para si ou para o bebé por exemplo, portanto não deixe esta tarefa para a última hora, quando está provavelmente mais cansada correndo ainda o risco que a grande hora chegue e que não tenha tido tempo para o fazer.

Consoante a maternidade onde o bebé vai nascer, pode ser vantajoso organizar dentro de uma bolsa individual a primeira muda de roupa com todos os acessórios que o bebé necessita logo após o nascimento. O facto de organizar a roupa do bebé para cada dia dentro de bolsas individuais pode lhe facilitar as tarefas após o parto.

Assim, a preparação da roupa para o bebé deve ter em conta o seguinte:

  • Em primeiro lugar remover todas as etiquetas da roupa do bebé para que não causem fricção ou reações ao nível da pele, assim como lavar a roupa com detergente e amaciador apropriado e hipoalergénico.
  • Deve privilegiar tecidos naturais como o algodão, de modo a reduzir uma vez mais possíveis reações ao nível da pele do bebé.
  • A quantidade de roupa que vai necessitar varia como é obvio com o tempo de internamento associado ao tipo de parto que pode ocorrer. Por outro lado, o bebé pode bolsar ou sujar-se enquanto está a mudar a fralda, pelo que ter alguma roupa suplente já preparada em casa pode ser vantajoso.
  • As primeiras roupas do bebé serão sempre a concretização de um desejo que acalentou ao longo da gravidez, e que após o nascimento concretiza o bebé imaginado num bebé real, o seu, portanto prepare com tempo a concretização desse sonho.

As listas que apresentamos a seguir são meramente indicativas e poderão variar de maternidade para maternidade.

Para o bebé, e para uma média de 3 dias será necessário o seguinte:

  • 6 bodies, 6 pares de botas de lã ou linho ou 6 pares de meias.
  • Consoante a maternidade e a altura do ano, e porque os bebés têm tendência a ter as extremidades mais frias, isto é, as mãos e os pés, podem ser solicitadas também luvas apropriadas.
  • 4 cueiros, calças de algodão, baby-grow, casacos de lã ou linho.
  • 2 babetes.
  • 1 casaco de agasalho, xaile ou manta
  • Fraldas de pano e fraldas descartáveis
  • O saco de transporte dos produtos do bebé
  • E o Kit de Células estaminais, se for caso disso.

Em suma, necessita de organizar a roupa interior, que estará sempre mais sujeita a sujar-se, a roupa exterior que deixará a mãe horas a olhar para o seu bebé, uma manta para evitar as perdas de calor mantendo o bebé quentinho e por último o Kit de células estaminais que terá que estar obrigatoriamente presente no momento do parto.

Não menos importante, temos então a preparação da mala da mãe. Deve conter roupa prática, confortável, que promova a imagem que tem de si enquanto mãe, mas também enquanto mulher.

Não deve como tal descuidar os aspetos que se relacionam com o seu cuidado pois, a par com o seu bebé vai ser o centro da atenção.

Assim, devem estar preparadas:

  • 3 camisas de noite ou pijamas, de preferência abertos à frente;
  • 1 roupão adequado à altura do ano;
  • 1 par de chinelos de quarto e outro de plástico ou borracha para o banho;
  • 6 pares de cuecas de algodão ou se preferir descartáveis;
  • 3 soutiens de algodão sem rendas e adequados para amamentação;
  • discos protetores de mamilo que sejam confortáveis, absorventes e descartáveis;
  • 1 embalagem de pensos higiénicos com uma boa capacidade de absorção;
  • e por último, os seus produtos de higiene pessoal.

Não deve esquecer que deve separar em sacos diferentes, a roupa suja do bebé e da mãe.

Reforçamos que os primeiros dias após o parto implicam sempre algum grau de recuperação física, pelo que tudo quanto possa facilitar esta nova etapa será um ganho para poder aproveitar ao máximo todos os momentos com o seu bebé.

Um aspeto importante que a grávida deve estar atenta são os sinais de alarme que podem ocorrer no final da gravidez e que devem ser motivo, ou de consultar o médico assistente ou então de ida à urgência da maternidade mais próxima.

Podem ser indicativos de situações de doença comum, de complicações de doenças próprias da gravidez, ou então de que a hora do nascimento do seu bebé pode estar mesmo a chegar.

Não se deve esquecer que a automedicação deve ser sempre evitada e este facto é ainda mais importante na gravidez, dado que o consumo de medicamentos pode influenciar o desenvolvimento do bebé.

Das situações que deve reportar ao seu médico assistente e que deve ter em atenção, temos:

  • As quedas em que possa eventualmente existir trauma ou contacto do abdómen com o chão ou com qualquer objeto.
  • Um quadro de febre, que mesmo que tenha sintomas associados, não deve automedicar-se, uma vez que pode necessitar de outros medicamentos que não sejam só os de controlo da própria febre.
  • Alterações no corrimento vaginal que tem habitualmente com mau odor, comichão, dor ou ardor.
  • Desconforto urinário, com dor ou ardor quando urina e necessidade de urinar muito frequente, são situações comuns ao longo da gravidez e devem ser avaliados de forma a prevenir eventuais complicações.
  • Ainda diarreia intensa e/ou vómitos intensos ou persistentes, devem ser reportados de forma a prevenir estados de desidratação súbita. Estar igualmente atenta a situações de tonturas com suores associados aumento do batimento cardíaco ou sensação de desmaio.
  • Erupções e/ou comichão ao nível da pele ou dificuldade respiratória são também situações que necessitam de observação e de ser esclarecidas do ponto de vista clínico.
  • Por último deve estar atenta a dores de cabeça com um padrão invulgar ou não habitual, alterações ao nível da visão, aumento de peso repentino, e edemas que não regridem com o repouso da noite.

Como motivo de ida à urgência da maternidade mais próxima, temos:

  • A diminuição de movimentos fetais. No final da gravidez o bebé pode tornar-se um pouco menos ativo, uma vez que pelo seu crescimento o espaço para se mexer começa a ser menor. Ainda assim, deve mexer cerca de 10 vezes a cada 12 horas. Se verificar alteração ao nível do padrão dos movimentos do seu bebé e que não reaja aos estímulos habituais, deve deslocar-se à urgência para ser observada.
  • Dor de cabeça intensa e persistente que não ceda a analgésicos prescritos pelo seu médico, e que tenha associada alterações ao nível da visão, ou dor na região do estômago.
  • Também deve deslocar-se à urgência se sentir contrações rítmicas, progressivamente mais intensas e dolorosas antes do 8ª mês, ou seja, antes da 37ª semana de gravidez, de forma a despistar alguma situação de ameaça de parto pré-termo.
  • Dor abdominal intensa ou contrações uterinas dolorosas, progressivamente mais intensas e frequentes após a 37ª semana, podem efetivamente significar que chegou a hora e poderá estar em trabalho de parto. Habitualmente as contrações de trabalho de parto não cedem com o repouso ou com qualquer outra manobra de relaxamento e a tendência é ir aumentando o nível de desconforto.
  • Hemorragia vaginal que drene passivamente na cueca ou no penso ou perda de líquido pela vagina que não seja compatível com o seu corrimento habitual e que não cheire a urina, são também situações que requerem observação imediata.

O parto e a dor durante o trabalho de parto, talvez sejam os aspetos que geram mais ansiedade nas mulheres, principalmente às grávidas pela primeira vez. Ainda que a dor em trabalho de parto seja algo real, difere muito como é percecionada, variando de cultura para cultura e de mulher para mulher.

Na realidade o facto desta sensação de dor estar associada ao acontecimento feliz do nascimento, é percecionada de outra forma.

As medidas farmacológicas e em concreto a analgesia epidural, são as técnicas mais eficazes no alívio da dor, no entanto existem outras que na ausência desta ou em complementaridade, ajudam a manter o corpo e a mente, o mais relaxado possível, para que o parto seja um momento especialmente positivo.

Escolha uma pessoa significativa para a acompanhar durante o trabalho de parto, pode ser o pai do bebé, uma pessoa da família, uma amiga. Importante será essa pessoa ser uma fonte de segurança, tranquilidade, de reforço positivo e de apoio continuo para manter o autocontrolo durante esta fase.

A evidência científica reforça o facto de que, caso o pai seja o acompanhante será fortalecido o vínculo e o papel paterno assim como os laços familiares, uma vez que partilha o momento especial do nascimento do bebé com a mãe.

Não existindo uma contra indicação formal para tal, uma das técnicas que facilita o trabalho de parto é o movimento. Caminhar pelo quarto, alternar posições, movimentar a pélvis ou utilizar a bola de pilates, promove uma sensação de maior liberdade e de controlo sobre si mesma, acalmando-a e promovendo mais uma vez o autocontrolo. Por outro lado, ajuda na descida do bebé, na dilatação do colo, existindo também evidência de reduzir a perceção de dor.

Uma respiração adequada com inspirações e expirações lentas durante a contração, ajudam também a reduzir a sensação dolorosa, proporcionando um maior relaxamento e diminuindo a ansiedade.

A hidroterapia ou banho morno, são também uma boa opção na medida em que pela água e pelo calor é promovido um maior relaxamento muscular, um maior alívio da dor em trabalho de parto, melhorando assim o padrão respiratório e cardíaco.

Pode ainda recorrer à massagem, mais uma vez vista como promotora do relaxamento, mas em certas situações e massajando locais específicos do corpo, pode obter-se também o alívio da dor.

Por último a musicoterapia. Selecione atempadamente um conjunto de músicas que lhe sejam particularmente agradáveis, e que possam dar-lhe uma sensação de bem-estar. A música irá ser pois um meio muito eficaz de focar a sua atenção, distraindo-a enquanto um estímulo agradável, facilitando assim o relaxamento e promovendo o autocontrolo.

Por hoje é tudo! Até à próxima aula!

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