AULA 7: VAI NASCER!

Enfo. João Formiga

Olá o meu nome é João Formiga e sou enfermeiro especialista em saúde materna e obstetrícia. Nesta etapa iremos abordar alguns aspetos relacionados com o processo fisiológico do nascimento, isto é trabalho de parto e parto. É importante compreender o nascimento como um processo natural e fisiológico, no entanto convém conhecer aspetos relacionados com o inicio do trabalho de parto, as fases do mesmo, os tipos de parto que existem e os tipos de analgesia durante este processo, isto é, quais as técnicas que podem aliviar o desconforto durante o trabalho de parto.

Quanto mais informada estiver acerca de todos estes aspetos, mais facilitador será a vivência de toda a gravidez e do nascimento do seu bebé.

A data provável do parto é definida para as 40 semanas de gravidez e é calculada mediante as ecografias que faz ao longo da gravidez, no entanto o parto de termo poderá ocorrer entre as 37 e as 42 semanas. O parto é o culminar de um processo fisiológico e natural chamado de trabalho de parto, onde graças às contrações uterinas se produz a saída do feto e da placenta para o exterior do organismo materno.

Umas semanas antes do parto, é natural que comece a sentir contrações, e note um endurecimento de toda a barriga. Numa primeira fase estas contrações são esporádicas, irregulares, sem um ritmo frequente, e não dolorosas. Esta situação torna-se um pouco mais frequente à medida que a gravidez se aproxima do fim e são de alguma forma a preparação para que o verdadeiro trabalho de parto se venha a instalar.

Nas últimas semanas pode também ocorrer a expulsão do rolhão mucoso, um corrimento vaginal de cor rosada ou acastanhada e de consistência espessa tipo gelatinosa. Se esta situação não for acompanhada de contrações, não é necessário ir ao hospital, uma vez que pode acontecer alguns dias antes de iniciar o trabalho de parto.

O inicio de trabalho de parto, especialmente se é o seu primeiro filho pode ser lento e evoluir gradualmente, e como tal esta fase inicial pode demorar algumas horas. O corpo da mulher dá sempre alguns sinais que deve estar atenta.

Como já referimos a saída do rolhão mucoso, um muco gelatinoso, que pode apresentar-se ou não raiado de sangue ou ser acastanhado, pode surgir vários dias antes do parto, pelo que não deve motivar a ida à maternidade a não ser que seja acompanhado de contrações. Significa só que se iniciou alguma pequena alteração ao nível do colo uterino.

A rotura de bolsa de águas, significa que se não está já em trabalho de parto, este se instalará nas horas mais próximas. Se o líquido for translúcido e com um cheiro característico, semelhante a lixivia ou esperma deverá calmamente dirigir-se à sua maternidade. Se o líquido for esverdeado então aí deve dirigir-se de imediato.

Contrações regulares de 5 em 5 minutos que durem cerca de 1 minuto num período contínuo de uma 1 hora também são indicativas de que estamos provavelmente perante o inicio de trabalho de parto. Se verificar que as contrações são regulares, mas ainda espaçadas com intervalos superiores a 5 minutos então pode deambular pela casa calmamente, estando atenta aos movimentos do seu bebé, falando com ele e respirando devagar em cada contração, utilizando as técnicas não farmacológicas, de forma a controlar algum desconforto que exista. Quando verificar que as contrações já se encontram regulares de 5 em 5 minutos dirija-se então à maternidade.

O trabalho de parto sendo como já referimos um processo natural e fisiológico pode ser mais ou menos lento dependo de um conjunto grande de variáveis.

Integra a fase de dilatação até aos 10 cm.

  • Nesta fase as contrações fazem com que o colo do útero se vá abrindo e dilate gradualmente. Este período compreende 2 fases distintas: a fase latente, até aos 3 cm de dilatação em que as contrações são mais toleráveis irregulares e é a que antecede na maioria das vezes a ida para a maternidade, e a fase ativa que vai dos 3 cm até dilatação completa.
  • A duração total da fase da dilatação varia de mulher para mulher, da intensidade das contrações, se é o primeiro parto entre outros fatores.

Por último a fase da expulsão, quando o colo do útero esta completamente dilatado, o bebé desce pelo canal de parto e as contrações são tão fortes que impelem a mãe a empurrar ou a puxar para baixo o que favorece a saída do bebé para o exterior de forma a ocorrer o parto.

Já após a expulsão do bebé, o útero continua a contrair-se até que seja expulsa a placenta e as membranas ovulares ou amnióticas. Esta fase chama-se dequitadura e é o culminar do parto.

Por último, a fase do puerpério imediato que vai até às 2 horas após o parto. Não é mais do que a fase de estabilização onde os profissionais de saúde avaliam um conjunto de parâmetros, verificando se o seu corpo iniciou o processo de involução ao estado pré-gravidez.

É também nesta fase que o seu bebé inicia a amamentação pela primeira vez, podendo ser imediatamente após o parto em que o bebé através do contacto pele com pele com a mãe, explora o seu mundo e adapta-se à mama da mãe, iniciando a sua adaptação a uma nova aventura que é viver fora do útero materno.

Passaremos agora a apresentar quais os tipos de parto que existem:

  • O parto vaginal ou natural porque ocorre no canal fisiológico do parto e subdivide-se em 3 tipos.
    • Eutócico ou normal uma vez que não recorre ao auxílio de nenhum instrumento para acilitar a saída do bebé, sendo este o mais frequente.
    • Distócico fórceps uma vez que é utilizado um instrumento em forma de colher, para auxiliar a saída da cabeça do bebé pelo canal vaginal;
    • Distócico ventosa em que é utilizada uma campânula com a capacidade de sução, adaptada à cabeça do bebé, puxando-o gentilmente de modo a facilitar a sua saída através do canal de parto para o exterior.

E o parto por cesariana em que o bebé nasce através de uma cirurgia. É efetuada uma incisão cirúrgica a nível abdominal, é um tipo de parto com indicações claras e precisas e sendo uma prática comum com elevados índices de segurança, não deixa de ser uma cirurgia devendo ser limitada ao estritamente indicado.

O parto na agua, não é mais que um parto via vaginal, normal, sem intervenção. No entanto, tem a particularidade de ocorrer em meio aquático. Ainda é pouco praticado em Portugal, mas já existe uma resolução da Assembleia da República de 2017, para que gradualmente se implemente no nosso país com a criação de mais centros onde esta opção seja uma realidade.

  • Pode ser realizado por grávidas com uma gravidez de baixo risco, sem contraindicações absolutas para um parto vaginal.
  • Ocorre geralmente numa piscina adequada para o efeito com água a rondar os 37º de temperatura e onde a mulher passa a estar imersa após entrar na fase ativa do trabalho de parto.
  • Permite uma maior sensação de relaxamento, uma maior liberdade de movimentos, diminuindo a sensação de dor, o que facilita o trabalho de parto.
  • É uma opção para quem pretende ter um parto natural, sem recurso a medicamentos ou a epidural, ao longo do trabalho de parto, podendo no entanto, utilizar outras técnicas não farmacológicas para alivio da dor.
  • Poderá assim ter o seu parto na água, exceto se surgir entretanto, alguma indicação clinica que o contraindique.
  • O bebé nasce exatamente como estava no útero, num meio aquático, pelo que a adaptação à vida extrauterina é mais gradual, só iniciando a respiração quando contacta com a atmosfera.

No parto vaginal poderá existir a necessidade de proceder a uma episiotomia. A episiotomia é uma pequena incisão ou corte que se faz no períneo para facilitar a expulsão do bebé e em certos casos evitar lacerações ou rasgos muito grandes.

Dependendo do tamanho do bebé, da elasticidade dos tecidos do períneo da mãe e da necessidade de o bebé nascer mais ou menos rápido, a necessidade de fazer a episiotomia é avaliada por quem faz o parto, tendo no entanto em consideração e sempre que possível as preferências da mãe.

É, como é obvio, uma técnica indolor uma vez que a mãe está sob o efeito da analgesia epidural ou na sua ausência é feita sob anestesia local. Implica posteriormente a reparação através de uma pequena sutura.

A analgesia epidural é o método farmacológico mais eficaz para alívio da dor no trabalho de parto, e a decisão sobre esta técnica é tomada pela mulher pelo que deve ser uma escolha consciente, esclarecendo as dúvidas que surgirem com o anestesiologista que executa a técnica.

Proporciona habitualmente um alívio total da dor durante a fase de dilatação, permitindo que a mulher se mantenha consciente. Não é uma anestesia, pelo que permite à mulher quase sempre a mesma liberdade de movimentos, mantendo-se participativa.

A mulher não sente dor durante a contração, mas tem a sua perceção através do endurecimento do abdómen, pelo que se mantem participativa em todos os momentos do trabalho de parto e parto.

Consiste na introdução de um cateter no espaço epidural através da coluna lombar, e a técnica deve ser feita a partir da altura em que a mulher a solicite por referir dor forte e estando manifestamente em trabalho de parto.

Através desse cateter é administrada a medicação que analgesia a região do abdómen e períneo, eliminando assim a dor provocada pelas contrações.

Pelo facto de se manter o cateter, permite sempre que necessário administrar o medicamento assim que a mulher o solicite ou em contínuo e apresenta ainda a vantagem de poder ser utilizado para anestesia em caso de cesariana.

Os estudos e a experiência ao longo dos anos indicam que a analgesia epidural é segura para a mãe e para o bebé desde que sejam respeitados todos os critérios de segurança inerentes.

Permite apreciar o parto de outra forma uma vez que a mãe não sente dor e colabora de forma eficaz apoiada pelos profissionais de saúde.

E é tudo por hoje! Na próxima aula temos novos conteúdos que o irão, certamente, interessar!

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