AULA 9: O MEU FILHO NASCEU! E AGORA? II

Enfa. Célia Serra

Olá a todos o meu nome é Célia Serra e sou enfermeira especialista em saúde materna e obstetrícia. Estou aqui para que juntos possamos abordar a questão de deixarmos de ser simplesmente filhos e passarmos a adquirir simultaneamente o papel de pais, e ainda a problemática de recebermos um bebé que não vem com manual de instruções nem botão on/off.

Assim, nesta sessão falaremos de alterações emocionais, exercício físico, sexualidade e contraceção no pós-parto.

Relativamente às alterações emocionais do pós-parto estamos a referirmos ao blues pós-parto, à depressão no pós-parto e psicose.

Acabou de ter um bebé e é suposto que se sinta feliz e a festejar a sua chegada com os seus familiares e amigos. Mas ao contrário, só lhe apetece chorar. Estava pronta para alegria da celebração, e não para a exaustão, para a tristeza e para a ansiedade.

É importante esclarecer que o blues pós-parto se trata de uma alteração emocional normal desta fase, mas que não deve ser desvalorizada. Afeta 40 a 60% das mulheres, e é provavelmente causado pelas alterações hormonais bruscas que ocorrem após o parto. Pode durar ente 10 e 14 dias e deve desaparecer espontaneamente. Irá sentir-se melhor, assim que os níveis hormonais equilibrarem. O apoio dos que a rodeiam é fundamental para ultrapassar esta fase.

A depressão no pós-parto traduz-se num agravamento e severidade dos sintomas com uma maior duração relativamente ao blues. É um problema sério que não pode ser ignorado, mas nem sempre fácil de diferenciar entre as duas situações uma vez que ambas apresentam sintomas comuns, tais como: as alterações do humor, a irritabilidade, a tristeza, o choro e as alterações do padrão do sono.

A depressão no pós-parto afeta cerca de 10 a 15% das mulheres. São apontadas como principais causas: as alterações hormonais, mas também as alterações físicas e o stress.

Requer a ajuda de um profissional de saúde, em acréscimo com os cuidados pessoais e apoio familiar.

Quando não detetada e tratada atempadamente poderá originar perturbações emocionais e cognitivas quer para a mãe quer para o bebé.

E quais são as estratégias que podemos adotar para lidar com a depressão pós-parto? É importante,

  • cuidar de si, enquanto mulher;
  • pôr-se bonita, procurar vestir roupas que a favoreçam;
  • procurar dormir os mesmos períodos que o bebé;
  • fazer uma pausa dos deveres de mãe, encontrar pequenos prazeres, como tomar banhos de espuma ou saborear um chá relaxante;
  • fazer da alimentação uma prioridade. O que comemos tem um impacto direto no estado de humor, bem como na qualidade do leite materno. Por isso, é importante fazer todo os possíveis por manter uma alimentação saudável e equilibrada;
  • dar pequenos passeios com o bebé. Sair para a rua com luz solar levanta o humor de qualquer um;
  • regressar ao exercício físico;
  • procurar apoio e ajuda nos que a rodeiam – não se afastar das amizades e da família, uma vez que este apoio é fundamental;
  • Retomar a sua vida social. Por exemplo, procurar grupos de mães com quem possa partilhar os mesmos sentimentos, emoções e experiências do processo de maternidade;
  • Voltar a namorar.

Em suma, quanto mais cuidar da sua saúde mental e do bem-estar físico, melhor se sentirá.

A psicose no pós-parto é uma patologia grave que requer tratamento e muitas vezes internamento.

Atinge 2 a 4 em cada 1000 mulheres e surge nas primeiras semanas após o nascimento do bebé.

São frequentes sintomas como: alucinações, delírios e angústias paranoides.

Cada vez mais se incentiva o exercício físico como melhoria da qualidade de vida. Também na recuperação pós-parto, a atividade física apresenta um papel fundamental na retoma da imagem corporal alterada, na sensação de bem-estar, e fomenta a auto estima e a autoconfiança. A par dessas vantagens o exercício físico também é fundamental na aquisição de uma postura correta durante a amamentação e na retoma do peso habitual.

Em qualquer tipo de parto, a mulher deve aconselhar-se previamente com o profissional de saúde de obstetrícia sobre quais os cuidados que deve ter antes de iniciar a prática de exercício e quando o deve iniciar.

Os exercícios do períneo também chamados de exercícios de Kegel são exercícios de contração e relaxamento dos músculos que rodeiam a vagina e o ânus.

São imprescindíveis para reforçar a sustentação da bexiga e do intestino, fortalecer o tónus vaginal e reduzir a probabilidade de incontinência urinária e facilitar a retoma da atividade sexual.

São muito fáceis e podem ser feitos em qualquer altura do dia, mas sempre com a bexiga vazia.

Então vamos experimentar:

  • Iniciamos com a contração dos músculos da zona pélvica como se estivesse a impedir uma micção;
  • Contamos até 5, mantendo a contração;
  • E depois relaxamos lentamente os músculos;
  • Podemos repetir esta sequência 5 a 10 vezes, várias vezes ao longo do dia;

É importante que hidrate a zona abdominal e os tecidos do períneo com aplicação de um creme específico, uma vez que a hidratação favorece a elasticidade e a resistência dos tecidos.

Após o nascimento do bebé, o casal entra numa nova etapa da sua vida. As rotinas e cuidados que o bebé exige podem fazer alterar a vida conjugal do casal, contudo, é importante ter em atenção que os tempos dedicados um ao outro enquanto casal tem que voltar a existir.

Do ponto de vista emocional e físico a mulher só deve retomar a vida sexual quando se sentir bem física e psicologicamente. Fatores ginecológicos podem causar desconforto durante o ato sexual, tais como: a diminuição da lubrificação vaginal e da libido e o desconforto causado pela não total cicatrização dos tecidos.

É essencial o esclarecimento de dúvidas com um profissional de saúde, durante a consulta de revisão após o parto.

A escolha e utilização de um método contracetivo antes da retoma da atividade sexual é importante. A contraceção no pós-parto deve ser pensada, pelo casal, ainda no período pré-natal e deve ter em conta diversos fatores, entre eles:

  • Retorno da fertilidade;
  • O processo fisiológico do puerpério;
  • A amamentação;
  • E a salvaguarda de uma nova gravidez na perspetiva de cada casal.

Se está a amamentar, os métodos contracetivos mais recomendados são:

  • Método barreira, ou seja, o preservativo;
  • Método hormonal progestativo, também conhecida como pílula de amamentação. Para iniciar segundo as indicações do seu profissional de saúde.

Está contraindicada a contraceção hormonal combinada, como a pílula, o anel vaginal ou o adesivo.

É importante salientar que a amamentação, só por si, é considerada um método natural de baixa eficácia, e que não dispensa a utilização de um método contracetivo adicional.

E é tudo por hoje! Na próxima aula temos outros conteúdos a abordar que o irão interessar!

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