AULA 10: AMAMENTAÇÃO

Enfa. Célia Serra

Olá a todos, o meu nome é Célia Serra, sou enfermeira especialista em saúde materna e obstetrícia e sou concelheira em amamentação. Nesta aula vamos abordar o tema da amamentação, dando especial enfoque:

  • Às vantagens da amamentação para a mãe e para o bebé, como amamentar e as principais dificuldades associadas e como soluciona-las.

Também iremos falar sobre o aleitamento artificial.

Como mãe posso dizer-vos que amamentei os meus dois bebés, e como tal desafio-vos a vivenciar uma experiência única na relação afetiva entre mãe e filho.

O leite materno é um alimento vivo, completo e natural que possui uma composição nutricional perfeitamente ajustada às necessidades do bebé.

Durante o processo de amamentação, o leite materno apresenta a capacidade única de se alterar, respondendo à crescente exigência de nutrientes que ocorre com o desenvolvimento do seu bebé.

É fantástico, não é?

Para além de possuir todos os nutrientes, na porção necessária ao correto desenvolvimento do bebé, o leite materno contém uma série de anticorpos, que proporcionam imunidade a certas doenças até que o sistema imunitário do bebé esteja desenvolvido, o que torna o leite materno inimitável.

Além disso, a Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros 6 meses de vida, que poderá prolongar-se até aos 2 anos de vida como complemento à dieta alimentar.

Vamos então perceber como é que fisiologicamente tudo acontece…

  • Após o parto é libertada uma hormona, a prolactina, que é transportada através da corrente sanguínea até à mama. Esta hormona faz com que as células secretoras da glândula mamária estimulem a produção de leite;
  • Quando um bebé suga, impulsos sensoriais, vão do mamilo para o cérebro. Em resposta a isso é segregada outra hormona, a ocitocina. A ocitocina viaja através do sangue para a mama e produz a contração das células musculares, ou mioepiteliais, da glândula mamária, que por sua vez provocam o reflexo de ejeção e fazem com que o leite flua até ao mamilo.

O início da amamentação deve ser precoce, de preferência na primeira meia hora após o parto, favorecendo assim a ligação entre mãe e filho.

Imediatamente após o parto, e por vezes ainda durante a última fase da gravidez, é libertado o primeiro leite, chamado colostro. O colostro exibe uma aparência amarelada, esbranquiçada ou transparente, que se mantém durante 2 a 3 dias, e é muito denso e muito rico em gorduras, proteínas e imunoglobulinas. O colostro é importantíssimo para proteger o bebé de infeções e para o ajudar no trânsito intestinal.

A partir do 2º ou 3º dia, varia de mulher para mulher e consoante o tipo de parto, é normal notar um aumento brusco da produção de leite, também vulgarmente chamada descida de leite. É normal sentir:

  • A mama dura e quente;
  • Um aumento do volume, dor ou desconforto mamário;
  • E é ainda possível experimentar a sensação de arrepios e um estado sub-febril, durante cerca de 24h.

No alívio deste desconforto recomenda-se:

  • Uma massagem na mama com movimentos circulares com água quente no duche;
  • Extrair o excesso de leite produzido;
  • Dar de mamar ao bebé;
  • Retirar o leite manualmente ou com uma bomba de extração, mas sem esvaziar a mama por completo, apenas até que deixe de ser desconfortável.

Passados alguns dias a descida do leite normaliza, passando a ser produzido apenas a quantidade de leite que o bebé necessita e sentirá a mama mais mole e confortável.

É importante e essencial ter alguns cuidados com as mamas durante a amamentação. Em relação à higiene das mesmas esta deve ser feita quando se efetua a higiene corporal diária. Assim sendo:

  • Deve manter as mamas e os mamilos sempre secos e utilizar um sutiã adequado à amamentação;
  • No final de cada mamada, é essencial colocar uma a duas gotas de leite materno no mamilo e auréola e deixar secar. Este procedimento hidrata e protege os mamilos;
  • Arejar as mamas sempre que possível. Prefira os protetores de mamilo aos protetores de seios descartáveis, vulgarmente chamados discos de amamentação;
  • E utilizar cremes à base de lanolina, que ajudam a combater as fissuras.

No que diz respeito às vantagens para o bebé, o leite materno:

  • É um alimento vivo, completo e seguro, sendo consensual a nível mundial, que a amamentação exclusiva até aos 6 meses de vida é a melhor forma de alimentar o bebé;
  • É um alimento natural, de elevada riqueza nutricional, que permite um crescimento e desenvolvimento saudáveis do bebé;
  • Previne o aparecimento de infeções gastrointestinais, como as diarreias, infeções respiratórias, como as pneumonias e bronquiolites, e infeções urinárias;
  • Apresenta um efeito protetor sobre alergias;
  • Confere uma maior proteção contra vírus e bactérias;
  • E é fácil de digerir, logo melhora o funcionamento intestinal.

Em relação à mãe a amamentação apresenta vantagens, entre elas:

  • Promove uma recuperação mais rápida do corpo após o parto;
  • Associa-se a uma menor probabilidade de aparecimento de cancro da mama e diminui a incidência de osteoporose na menopausa;
  • Aumenta a confiança da mãe e a sensação de bem-estar;
  • Cria uma ligação emocional única entre a mãe e o bebé;
  • É o melhor alimento para o bebé, é prático, sem necessidade de preparação. Encontra-se sempre à temperatura ideal, é ecológico e sem custos.

Não existem regras quanto à duração de cada mamada. Existem bebés que prolongam as mamadas, por vezes até 30 minutos ou mais. O que interessa perceber é se o bebé não está a fazer da mama uma tetina, uma vez que isso provoca uma maceração dos mamilos. A mãe pode perceber se o bebé está mesmo a mamar, quando verifica que o bebé enche as bochechas de leite ou, quando ouve o bebé a deglutir o leite.

É importante deixar o bebé mamar quando e quantas vezes quiser, o que se chama de regime livre ou livre demanda.

Deve, portanto, ser oferecida a mama sempre que o bebé manifestar sinais de fome, tanto de dia como de noite, sabendo que quanto mais vezes o bebé mamar maior é a produção de leite.

No entanto, nos primeiros tempos, é necessário que o bebé mame pelo menos 8 vezes por dia, e durante o primeiro mês não deve estar mais que 3 horas no período noturno sem mamar.

É importante que em cada mamada o bebé esvazie a primeira mama oferecida, e se posteriormente continuar com fome, é que lhe deverá ser oferecida a segunda mama.

A interrupção de uma mamada está desaconselhada, pois impede que o bebé ingira o leite final, mais rico em gordura e em calorias. Essa interrupção traz consequências ao nível da eficácia da amamentação, da produção de leite, da satisfação do bebé e consequentemente no aumento de peso. É esse leite final que lhe dá a sensação de saciedade.

Como amamentar em 5 passos:

  • Em primeiro lugar, se as mamas estiverem duras ou inflamadas, deve extrair um pouco de leite, manualmente ou com bomba, antes do bebé mamar, para amolecer a mama à volta do mamilo.
  • Posicione-se sentada, deitada ou de pé com o bebé de forma a que ambos fiquem confortáveis; deve ter em atenção que deve apoiar o bebé na nuca e nas nádegas mantendo-o em linha reta em relação ao corpo da mama. A maneira como aconchega o bebé é determinante para o sucesso da amamentação. Aninhe o bebé a si.
  • Para iniciar a mamada, agarre a mama e não apenas o mamilo, abrangendo grande parte da auréola, e encostar o queixo do bebé à mama. O mamilo deve estar na direção do palato do bebé, o que facilita o reflexo de sucção. O lábio inferior, está posicionado debaixo do mamilo, e invertido, de forma apanhar o tecido mamário, que contém as glândulas produtoras de leite, promovendo a saída do leite.

A boa pega é determinante no sucesso da amamentação, assim em cada mamada, deve:

  • verificar se a boca do bebé está bem aberta e apanha a maior parte da auréola e não só o mamilo;
  • e verificar se as bochechas do bebé se enchem de leite.

Deve deixar o bebé mamar até ao fim de uma mama antes de oferecer a outra. Ambas as mamas deverão ser oferecidas em cada mamada, e o bebé mamará, ou não, a segunda, apenas se tiver apetite.

No final coloque o bebé na vertical e encoste-o ao seu ombro, massajando-o nas costas, até arrotar, proteja os seus mamilos e a aréola com umas gotas de leite e deixe secar ao ar.

No que se refere às dificuldades da amamentação:

O ingurgitamento é umas principais dificuldades sentidas pela mãe durante a amamentação.

Algumas vezes, especialmente se o leite não é retirado em quantidade suficiente, as mamas podem ficar duras, ou seja, ingurgitadas, e doer, tornando mais difícil amamentar.

Para solucionar o ingurgitamento deve extrair-se um pouco de leite de forma manual ou com a ajuda de bombas para “aliviar” a tensão.

Como método de prevenção, recomenda-se:

  • iniciar a amamentação o mais cedo possível, de preferência logo após o parto, e continuar a amamentar sempre que o bebé sentir necessidade;
  • e quando as mamas estiverem muito cheias, dar de mamar ou extrair o leite se ainda não for hora de amamentar.

As fissuras é outra dificuldade sentida.

As fissuras ocorrem sobretudo devido à má adaptação do bebé à mama da mãe e ao número e duração inadequada das mamadas.

Com fissuras, a amamentação torna-se dolorosa e a frequência diminui.

Durante a mamada é essencial verificar se posiciona corretamente o bebé e se a pega é feita convenientemente.

Como método de prevenção, recomenda-se:

  • Lavar as mamas e os mamilos apenas no seu banho diário e evitar o uso de produtos com sabão nessa zona;
  • Manter as mamas secas;
  • Após o banho e depois de todas as mamadas colocar uma pequena quantidade de leite no mamilo e na aréola;
  • Não interromper a mamada, o bebé deve deixar a mama espontaneamente;
  • Se a mãe tiver que interromper a mamada, deve colocar um dedo, suavemente, no canto da boca do bebé de modo a interromper a sução.
  • E aplicar almofadas de hidrogel.

O bloqueio dos ductos nas mamas, outra complicação que pode surgir durante a amamentação, acontece quando um dos canais por onde passa o leite materno é obstruído, devido, por exemplo, ao engrossamento do leite.

Assim sendo, é importante amamentar em diferentes posições de modo a esvaziar todas as partes da mama.

Para prevenir esta situação, é importante:

  • Fazer uma massagem no local do nódulo ou caroço, e tentar direcioná-lo para o mamilo, de maneira a ajudar a esvaziar aquela parte da mama;
  • Usar roupas largas e um sutiã que apoie, mas não aperte a mama.

É essencial, nesta situação, consultar um profissional de saúde.

Quando existir um ducto ou canal bloqueado, ou houver um ingurgitamento mamário grave, pode verificar-se uma infeção. Esta infeção denomina-se de mastite.

Verifica-se uma zona da mama avermelhada, quente, inchada e dolorosa.

Geralmente ocorre febre elevada e sente-se um grande mal-estar.

Como prevenção, recomendamos:

  • Repouso;
  • Extrair leite materno manualmente ou com bomba;
  • Aplicar gelo ou compressas húmidas e frias sobre a área afetada antes de amamentar.

Em caso de mastite é necessário recorrer a um profissional de saúde. O médico indicará quais os medicamentos a tomar.

Quando não é possível a amamentação ou no caso em que a mãe opte por não amamentar, existe a opção de aleitamento artificial. Os vários leites em pó, disponíveis no mercado, estão especialmente adaptados à idade do bebé e têm em conta o seu desenvolvimento.

A Organização Mundial de Saúde recomenda que se dilua o pó em água à temperatura de pelo menos 70ºC, de modo a inativar a maioria dos micro-organismos, e que o leite seja de imediato consumido pelo bebé, mas claro, logo após o arrefecimento até a temperatura corporal do lactente.

É importante não esquecer que a preparação de um biberão de leite previamente esterilizado deverá respeitar a quantidade de água e pó indicados na embalagem.

E por hoje é tudo! Conto consigo na próxima aula!

Material de apoio

© 2018 EP Health Marketing SL • Todos os direitos reservados